Presidente da República, João Lourenço, considerou a trajectória da vida do nacionalista Brito Sozinho “exemplo de dedicação e entrega à causa da Pátria”.
Numa mensagem de condolências enviada, ontem, à família do antigo embaixador, que faleceu terça-feira, vítima de doença, o Chefe de Estado enalteceu os esforços empreendidos pelo nacionalista para a libertação do país. “Muito jovem ainda, abandonou o país para se juntar a quem no exterior desenvolvia actividades a favor da Luta de Libertação Nacional”, lê-se.
João Lourenço destacou, ainda, o papel activo de Brito Sozinho na diplomacia do após a proclamação da Independência Nacional. “Depois da Independência desenvolveu uma activa carreira diplomática, tendo sido embaixador em numerosos países africanos e nos países nórdicos da Europa”, escreveu o Presidente.
O Chefe de Estado expressou, igualmente, os seus “sentimentos a toda a família enlutada e a todos os seus amigos e companheiros de jornada nas várias frentes em que actuou”.
Bureau Político do MPLA observa minuto de silêncio
Por seu turno, o Bureau Político do Comité Central do MPLA observou, ontem, em Luanda, um minuto de silêncio em memória do nacionalista, no acto de abertura da sua décima Reunião Ordinária.
Numa nota, enviada ao Jornal de Angola, o MPLA lamentou o falecimento de Brito Sozinho, um homem “profundamente comprometido com os desígnios de militante da primeira linha” do partido.
Para o MPLA, o nacionalista notabilizou-se como “acérrimo defensor da eliminação do colonialismo e de todas as formas de neocolonização, da luta contra as desigualdades e da afirmação da Soberania angolana”.
O Bureau Político do Comité Central descreve ainda Brito Sozinho como um "político de carácter sóbrio e sólida formação", cujo legado deve servir de inspiração às novas gerações. À data do seu falecimento, integrava o Conselho de Honra do partido.
MIREX lamenta morte do embaixador
O Ministério das Relações Exteriores (MIREX) lamentou, também, com "profunda dor" e tristeza o falecimento do nacionalista e embaixador reformado Brito António Sozinho, numa das unidades hospitalares de Lisboa, Portugal, vítima de doença, aos 84 anos.
Em nota de condolências, o MIREX recorda que Brito Sozinho foi um diplomata nato, um dos fundadores do Ministério das Relações Exteriores, que soube representar o país. nas embaixadas onde esteve, nomeadamente na Nigéria (1987-2000), Tanzânia (2000-2006), na Guiné-Bissau (2006-2011), no Reino da Suécia 2011-2014) e Moçambique (2014-2019).
"Também representou Angola em diversos países africanos como (Benin, Níger, Togo, Ghana, Chade, Uganda, Kénya, Seychelles, Burundi, Senegal, Gâmbia, Guiné, Eswatini, Malawi, Islândia, Finlândia, Estónia, Letónia, Lituânia, Dinamarca) como embaixador não residente", pode ler-se no documento assinado pelo chefe da diplomacia angolana Téte António.
Intrépido diplomata
A Embaixada da República de Angola na Nigéria manifestou profunda tristeza, do falecimento do nacionalista Brito Sozinho. Numa nota de condolências, a missão diplomática considerou o antigo chefe da diplomacia angolana como “um intrépido diplomata com uma irrepreensível trajectória que honrou o país nos momentos mais difíceis da sua afirmação no concerto das nações”.
Na mensagem, assinada pelo embaixador José Bamóquina Zau, enaltece o papel de Brito Sozinho na direcção da Embaixada angolana na Nigéria com cobertura para as Repúblicas do Benin, Níger, Togo, Gana e Tchad de 1989 a 2002.
Nacionalista de elevado prestígio
A Embaixada de Angola na Indonésia expressou profundo pesar pelo falecimento do embaixador Brito Sozinho. Em nota assinada pelo embaixador Florêncio de Almeida, a missão diplomática recorda a figura do diplomata como um "nacionalista de elevado prestígio" e "diplomata exemplar", forjado nos anos 70, período decisivo na consolidação do Estado angolano.
A Embaixada destacou o legado de dignidade e patriotismo deixado por Brito Sozinho, endereçando condolências à família, amigos, antigos colegas e ao Ministério das Relações Exteriores.
Companheiros do partido destacam legado de patriotismo e diplomacia
Várias figuras proeminentes do MPLA destacaram o legado de patriotismo, diplomacia e dedicação à causa da Independência Nacional deixado pelo nacionalista angolano. Brito Sozinho foi recordado “como um patriota exemplar, mentor de gerações e servidor incansável do país”.
A deputada do partido, Luísa Damião, descreveu-o como “um patriota, um filho de Angola que sempre se dedicou ao desenvolvimento do nosso país" e defendeu que o seu legado deve servir de inspiração às novas gerações. “A melhor forma de honrarmos a sua memória é continuarmos a trabalhar por uma Angola mais próspera, mais democrática”, afirmou.
Já o secretário das Relações Internacionais do MPLA e ex-ministro, Manuel Augusto, expressou profunda tristeza e emoção ao recordar o mentor e amigo. “Foi o camarada Brito Sozinho quem me levou para a diplomacia. Devo a ele tudo o que fui e sou. A nossa ligação era como de pai para filho”, lembrou.
Por sua vez, o deputado Américo Cuononoca prestou homenagem ao companheiro da histórica da geração de nacionalistas que, nos anos 60, rumou ao exílio para ingressar nas fileiras do MPLA. “Angola perde um dos seus melhores filhos, que dedicou toda a sua vida à causa da Independência e depois à diplomacia.
O papel de Brito Sozinho nas origens do Ministério das Relações Exteriores e nas missões que desempenhou como embaixador foi lembrado pelo secretário para a Reforma do Estado do MPLA, Mário Pinto de Andrade. Fez parte da primeira geração que lutou contra o colonialismo. Prestou um bom combate e deixa um legado que não pode ser esquecido.”
O líder da JMPLA, Justino Capapinha, também enalteceu a dedicação do nacionalista, mesmo em situação de doença. “Foi um camarada tenaz, combativo e sempre presente. A juventude deve seguir o exemplo de um militante fiel à causa do povo.”
Na mesma linha, a secretária para a Política de Quadros do partido, Maria Bragança, considerou que Brito Sozinho foi “um militante com uma longa trajectória revolucionária” e lembrou que, até recentemente, participou em sessões públicas. “Levou consigo uma parte da nossa história, mas deixa-nos um legado que deve ser seguido.”
Já Adriano Mendes de Carvalho, também membro do Bureau Político, descreveu-o como “figura emblemática” da política angolana. “Angola perdeu um grande patriota, um amigo e um camarada que mereceu sempre o nosso respeito.”
Nacionalista de “Longa Marcha”
Brito António Sozinho, também conhecido pelo nome de guerra, "Longa Marcha".
Nascido na cidade de Luanda, em Abril de 1941, é um músico, político e diplomata.
O seu envolvimento com o nacionalismo angolano iniciou aos 18 anos, em 1959, através do Clube Desportivo Ginásio, fundado por ele e outros camaradas seus, nomeadamente, Balduíno Silva, Mário Santiago, Bea Santiago, Faísca, Manuel da Conceição Neto, Pedro Van-Dúnem Loy e José Eduardo dos Santos.
O Ginásio era um grupo de estratégia de massas do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) para formação política e difusão cultural entre a juventude e servir como elemento de consciencialização patriota e monitorização de acções de controlo de agentes infiltrados nos bairros que colaboravam como informantes do regime salazarista que actuavam na periferia de Luanda.
Em Novembro de 1961, a bordo do Navio Zaire, abandona Angola e se vai juntar à guerrilha que se encontrava no exílio no Congo Kinshasa, um ano depois e outros nacionalistas, ruma para antiga União Soviética, para dar prosseguimento aos seus estudos, na altura já com o 5º ano do Liceu.
Durante dois anos frequenta o curso Médio Agrário, da nata de bolseiros enviados para aquele país europeu, pelo MPLA, já liderado por Agostinho Neto, destacam-se, José Eduardo dos Santos, Pedro Van-Dúnem Loy, Mário Santiago, Maria Mambo Café, Amélia Mingas, Ana Wilson, ele próprio Brito Sozinho, entre outros, que formam o "Conjunto musical Nzaji".
De regressado ao exílio teve passagem pelo Congo Brazzaville e pela Tanzânia, onde teve engajamento activo em actividades de vária índole do MPLA nestes dois países africanos e dai é indicado por Agostinho Neto para representante do MPLA em Conacri, função que exerceu até 1975, altura da proclamação da nossa Independência Nacional e já no primeiro Governo da então criada República Popular de Angola, é nomeado como Director do Protocolo de Estado do Ministério das Relações Exteriores, no tempo em que esta pasta era dirigida por José Eduardo dos Santos.
Carreira como diplomata.
Após a Independência Nacional tornou-se no primeiro chefe do Protocolo de Estado e, posteriormente, teve passagens como Director da Africa e Medio Oriente e dos Recursos Humanos do MIREX.