Um total de 397 milhões de euros vai ser investido em projectos de infra-estruturas no Corredor do Lobito, 320 dos quais destinados à extensão para República da Zâmbia.
Os números foram revelados, ontem, pelo ministro dos Transportes, Ricardo D’Abreu, à margem da Cimeira sobre o Plano Mattei para África e o Global Gateway, em que participou o ministro das Relações Exteriores, Téte António, em representação do Presidente da República, João Lourenço.
De acordo com o titular da pasta dos Transportes, o facto de o Corredor do Lobito ter constituído um dos pontos mais importantes da agenda da reunião de alto nível, espelha a dimensão correcta da natureza estratégica que é o projecto ferroviário angolano para o país, enquanto a espinha dorsal de um potencial processo de desenvolvimento económico, mas também conectando Angola aos países da região e ligando aos dois Oceanos, o Atlântico e o Índico, com todo o negócio global e a intervenção na economia mundial.
“Conseguiu-se garantir o ingresso de 320 milhões de euros para dar suporte aos investimentos que têm de ser realizados nessa ligação, que pretendemos que arranque no início do próximo ano. No domínio da Global Gateway Initiative da União Europeia, conseguimos também o ingresso de 77 milhões de euros para projectos em diferentes subsectores”, explicou o ministro.
Ricardo D’Abreu disse que as declarações proferidas na reunião pela Primeira-Ministra da Itália, Giorgia Meloni, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, atestam a importância estratégica no desenvolvimento daquilo que o país, hoje, designa de “Corredor de desenvolvimento económico do Lobito”.
O ministro sublinhou que o projecto ferroviário está além daquilo que é um corredor de infra-estruturas, pelo potencial que tem de desenvolvimento de outros sectores, classificando de “uma oportunidade única para gerar mais emprego, mais prosperidade e consolidarmos a estratégia de diversificação da nossa economia”.
Relativamente aos 77 milhões, esclareceu Ricardo D’Abreu, os valores dizem respeito a um programa de desenvolvimento de competências ao longo do Corredor, por via das instituições de ensino. Explicou, também, que existe um pacote para o ecoturismo, a nível do Corredor do Lobito, que visa potenciar as oportunidades do sector a nível do projecto ferroviário e a dinamização da agricultura sustentável e das infra-estruturas das cadeias logísticas ao longo do Corredor.
O titular da pasta dos Transportes desmistificou, também, a ideia de que os Estados Unidos da América (EUA) estaria a abandonar o projecto, acentuando que “as grandes potências, o G7 e, eventualmente, até o G20, compreendem a importância estratégica do Corredor do Lobito”, não só para os países da região, mas para a economia global.
“Portanto, não parece que, efectivamente, vai haver ou esteja a haver desistências ou recuos por parte dos países que , à primeira hora , se disponibilizaram em apoiar esta iniciativa”, assegurou o ministro.
O projecto do Corredor do Lobito, sustentou o titular da pasta dos Transportes, é um projecto que está orçado em quatro mil milhões de dólares e que passa pelo envolvimento do sector privado, esclarecendo que “não são financiamentos ao Governo de Angola”.
Além de Angola, a reunião de alto nível em Roma contou com as participações de representantes da Zâmbia, República Democrática do Congo (RDC), Tanzânia, e, também, do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).