O corpo diplomático acreditado na Nigéria foi informado sobre os resultados da 7ª Cimeira União Africana – União Europeia, que decorreu em Luanda, de 24 a 25 de Novembro, anunciou o embaixador angolano naquele país, José Bamóquina Zau.
O diplomata defendeu a necessidade de se guiar as acções entre África e a Europa dentro de um espírito pragmático, livre de preconceitos e burocracias, que, muitas vezes, dificultam a implementação de importantes decisões tomadas em conjunto.
José Bamóquina Zau argumentou, na cerimónia, que decorreu na terça-feira, em Abuja, que “África não pode continuar a ser dominada pela pobreza, quando é fornecedora de matérias-primas essenciais ao mundo”.
Neste contexto, apontou o “investimento no desenvolvimento” como a forma mais assertiva para se evitar asfixias provocadas pelo peso excessivo do endividamento.
“África já sofreu demais em termos de injustiças e discriminações”, disse Bamóquina Zau, valorizando, assim, o desafio da União Africana para a próxima década de se fazer “Justiça para os africanos e pessoas de ascendência africana através de reparações”.
Reforçou, ainda, que este é um tema sensível, mas que é necessário abordar, para definir o futuro das relações com o mundo, da migração, da mobilidade e integração”.
Por sua vez, o embaixador da União Europeia na Nigéria, Gautier Mignot, mostrou-se animado com os resultados da 7ª Cimeira de Luanda, que lançou uma nova visão de cooperação entre a África e as instituições financeiras da Europa, por ser capaz de responder aos actuais desafios geopolíticos globais e locais.
“Ao longo dos últimos 25 anos, a relação UA-UE evoluiu para uma parceria que produz resultados reais, através de um quadro dinâmico, que vai da paz à segurança, às transições verde e digital, à integração económica e à educação”, explicou o embaixador Mignot, realçando que isto tem a ver com o objectivo da Estratégia de Investimento Global Gateway da UE, que já investiu 150 mil milhões de euros.
Referiu a que a Iniciativa África-Europa visa apoiar o desenvolvimento de cadeias de valor da indústria transformadora, a fim de ajudar o continente africano a ex- plorar os seus próprios recursos, em alinhamento com a Agenda 2063 da UA e com as iniciativas de reforço da integração, como a Zona de Comércio Livre Continental.
O compromisso dos países desenvolvidos é de mobilizar, até 2035, recursos estimados em 300 biliões de euros, de fontes públicas e privadas, bilaterais e multilaterais, para financiar infra-estruturas pan-africanas, acções climáticas, Agricultura, Energias Renováveis e Indústrias.
Para os dois embaixadores, a Declaração de Luanda, de 25 de Novembro, recomenda que as relações comerciais entre África e a Europa sejam a fonte de estabilidade basea- da no compromisso, a fim de manter os canais de diálogo abertos, transparentes e dentro das balizas da Ordem Internacional.
RDC é a chave do futuro
Os dois embaixadores reconheceram que o Acordo para a Paz no Leste da RDC, assinado na semana passada em Washington DC, abre um campo de esperança para a construção de um futuro próspero naquele país.
“Entendemos que a Paz na RDC é a chave que remove todas as barreiras que alimentam a instabilidade e o subdesenvolvimento na Região dos Grandes Lagos”, disse o embaixador angolano na Nigéria, Bamóquina Zau.
Pediram à comunidade internacional para apoiar os esforços de mediação desenvolvidos, respectivamente, por Angola, União Africana, Nações Unidas, Qatar e pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reuniu as partes para um Acordo de Paz e lançar, assim, o Plano de Reconstrução da República Democrática do Congo.