Chefes de Estado e de Governo dos BRICS e convidados, com ênfase para o Presidente da República e da União Africana, João Lourenço, debatem hoje e amanhã, no Rio de Janeiro, República Federativa do Brasil, a reforma da governação global e o reforço do multilateralismo.
Entre os diversos temas a serem discutidos na 17ª Cimeira de Líderes dos BRICS, bloco constituído por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Etiópia, Egipto e Arábia Saudita, destacam-se a Paz e Segurança, a Inteligência Artificial, Questões Ambientais e Saúde Global.
Para o efeito, o Presidente João Lourenço chegou, ontem, ao Rio de Janeiro, onde foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, e altas entidades do Governo brasileiro.
O evento, que acontece no Museu de Arte Moderna (MAM), Aterro do Flamengo, um espaço revitalizado após a Cimeira do G20 de 2024, junta, igualmente, convidados provenientes de diversas regiões geográficas, nomeadamente da Ásia, América Latina e África.
O programa de hoje indica uma agenda preenchida com sessões ao mais alto nível, nos três períodos (manhã, tarde e noite).
A República Federativa do Brasil assumiu a presidência rotativa dos BRICS em Janeiro de 2025, adoptando como tema principal “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança Inclusiva e Sustentável”.
O evento tem como objectivo discutir temas prioritários de interesse comum, como Economia, Segurança, Ambiente, Comércio Internacional e Desenvolvimento Sustentável.
Os BRICS é um fórum formado por 11 países membros (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão), contando ainda com países parceiros (Bielorrússia, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietname).
O grupo está dividido em três pilares de cooperação, nomeadamente o político e de segurança, económico e financeiro e o pilar social.
João Lourenço intervém no debate sobre o Clima e a Saúde Global
O ministro das Relações Exteriores confirmou, em declarações à imprensa nacional, a participação e intervenção do Presidente da República e da União Africana nos dois dias da Cimeira, sendo a primeira, hoje, com uma abordagem centrada no “Reforço do Multilateralismo, Questões Económicas e Financeiras e Inteligência Artificial”.
Amanhã, adiantou Téte António, o Chefe de Estado volta a intervir no painel sobre o Clima e a Saúde Global.
Os temas, a serem abordados durante duas sessões de Alto Nível, de acordo com o ministro Téte António, decorrem do tema principal que o Brasil elegeu para a sua presidência dos BRICS.
O principal é, justamente, o reforço da Cooperação do Sul Global para uma governação mais inclusiva e sustentável.
Na questão da Saúde Global, o ministro das Relações Exteriores recordou que o Brasil propõe a criação de uma aliança internacional para eliminação das doenças socialmente determinadas e as tropicais negligenciadas.
Quanto ao tema em causa, Téte António reconhece ser do interesse de Angola e que já mereceu destaque na intervenção do Presidente da República na Cimeira de Bruxelas.
No que toca às questões económicas e financeiras, o ministro sublinhou que os BRICS defendem uma reforma na governação mundial, incluindo o modo de pagamento da dívida externa.
Segundo o chefe da diplomacia angolana, a presidência brasileira nos BRICS defende igualmente uma nova revolução industrial.
“Uma Revolução Industrial que interessa aos países do Sul Global como os nossos, com vista a transformar as nossas próprias matérias primas para criarmos oportunidades e nisto gerar desenvolvimento, empregos e outras oportunidades”, disse.
Da lista de mudanças, o Brasil propõe, também, uma reforma global dos órgãos da ONU, não apenas do Conselho de Segurança, mas também do próprio Secretariado, incluindo a distribuição de posições-chave neste órgão.
Apresentação do quadro nacional
Durante a sua intervenção, João Lourenço vai falar do país, mas vai dedicar a maior parte do tempo às questões do continente.
De acordo com o ministro Téte António, sobre as dinâmicas do país, o Presidente da República vai apresentar os desafios e as prioridades do Sul Global.
Sobre a possibilidade de Angola integrar os BRICS, o ministro das Relações Exteriores recordou que as organizações internacionais têm os seus critérios de adesão, porém o mais determinante é a decisão do país em aderir ou não a todas as condições no que diz respeito às vantagens que vai buscar nessa organização.
“A princípio, pertencemos ao Sul Global. Agora, de que forma organizamos a nossa cooperação no Sul Global, os canais podem ser diferentes. Podem ser bilaterais ou multilaterais. Quando chegar o tempo de Angola tomar essa decisão será divulgado”, pontualizou o ministro.